Wikinomics

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Capítulo 2 - A Tempestade perfeita

Este capítulo aborda a Internet como uma nova rede e as suas respectivas consequências para os consumidores e empresas.
A Internet deixou de ser uma plataforma que fornecia conhecimento para uma plataforma onde se cria conhecimento. Criou-se uma cultura de participação, as pessoas passaram a participar em comunidade,a criar e a partilhar.

Esta nova cultura faz com que as pessoas alterem software, bases de dados, produtos, etc. de tal forma que os próprios criadores originais nem sequer imaginavam. Isto faz com que muitas empresas, em vez de utilizarem estas criações, processem os criadores e mandem retirar as mesmas da web.
Isto revela-se um erro grave, as empresas de sucesso sabem aproveitar este envolvimento por parte das pessoas para benefício próprio.

O autor denomina a geração nascida entre 1977 e 1996 como Geração Net. Esta Geração nasceu na era digital e comporta-se de uma forma completamente diferente das anteriores. Não é uma geração passva da cultura do consumo de massas, ela utiliza a Internet como uma plataforma de colaboração maciça.
É uma geração que está ligada em rede, trabalhando com as diversas comunidades online.
É uma geração que controla a concepção,produção e distribuição dos seus produtos.
A Geração Net cria e partilha conteúdos, são denominados de Prosumidores.

A economia de colaboração vai ser a realidade no futuro.
"O futuro está na colaboração que supere fronteiras,culturas e disciplinas."
(Ana Portugal)

Perfect Storm - Crescimento da Internet

O escritor Cory Doctorow disse que, "a afinidade natural da humanidade para expressão, a comunicação e o empreendedorismo esta-se aglutinar com a maior penetração das conexões da Internet e o crescente acesso às novas ferramentas colaborativas de fácil utilização.” Com esta visão, a acrescentar um ambiente global louco e competitivo, temos a definição para esta tempestade.

Os principais ingredientes desta tempestade, segundo o autor, são os avanços tecnológicos , referidos como “Web 2.0”, que tornam mais fáceis a colaboração online e a comunicação, bem como o advento de uma geração de usuários de Internet nascidos de 1980 em diante, e que insistem em participar de forma mais activa na criação ou na edição do conteúdo online que utilizam, esta geração tem o nome de Geração Net.
O que torna esta nova geração tão diferente das anteriores é o facto de ser a primeira a nascer e crescer rodeada de meios digitais e no meio de uma revolução de comunicações.

A melhor maneira de resumir este capítulo é rever um parágrafo do escritor, segundo este "Nasceu uma rede que cada vez mais se assemelha a uma biblioteca cheia de componentes tagarelas que interagem e falam uns com os outros. Cada vez mais as pessoas estão a criar software, bases de dados e sítios na rede que não respondem apenas a objectivos privados, mas também que podem ser usados de formas que os criadores originais não conheciam ou não tencionavam usar deste modo. Isto faz com que seja fácil construir novos erviços na Rede a partir destes componentes já existentes, misturando-os em combinações inovadoras" (…).

(Filipa Pontes)

Capítulo 3: "Os prisioneiros do trabalho com os pares"

O que é a produção com os pares?
Forma de produzir bens e serviços que assenta em comunidades auto-organizadas e igualitárias que se juntam voluntariamente para obter um resultado partilhado; as actividades são normalmente voluntárias e não remuneradas: as pessoas participam porque querem e podem.

Como é que as redes livres de pares têm capacidade para competir lado a lado com as grandes empresas?
O trabalho com os pares serve-se das motivações voluntárias das pessoas, pelo que é mais fácil colocar a pessoa certa na tarefa certa. As pessoas apenas se propõem para projectos para que têm capacidades especializadas e interesse!
É feita uma auto-selecção e posteriormente a comunidade faz uma selecção das contribuições mais fracas.
Por outro lado, as pessoas são incentivadas a partilhar e modificar obras criativas, o que rapidamente traz mais pessoas à comunidade.

Porque estão as pessoas dispostas a contribuir?
Entusiasmo, diversão com a criação de algo melhor. - Motivos egocêntricos e altruístas.
Experiência, Exposição e Networking: obtenção de um estatuto valioso para as suas carreiras.
Há ainda as pessoas que são pagas pelas empresas onde trabalham para contribuir em determinadas comunidades (Linux).

Wikipedia

É a maior enciclopédia do mundo, produzida por voluntários, é um dos sites mais visitados da web.
Tem apenas 5 funcionários remunerados e os voluntários colaboram na execução de diversas tarefas administrativas para manter a enciclopédia em funcionamento.
A wikipedia não é perfeita e a questão do controlo da qualidade das inserções é fulcral. Ainda que seja feito um controlo dos conteúdos inseridos pela própria comunidade, o exercício de demasiado controlo pela própria wikipédia poderia matar o espírito da própria. Assim a estratégia é criar um ambiente positivo em que as pessoas se sintam motivadas a colaborar construtivamente.
O dinâmico sistema de produção da wikipédia acabará por esmagar as enciclopédias tradicionais, pelo modelo rápido, fluído e barato de produção de informação.
E com base nos conteúdos da wikipédia podem ainda ser produzidos novos produtos: manuais e livros (escritos pelos próprios utilizadores) relativos a temas específicos através da compilação toda a informação da wikipédia.

O Linux

Estabeleceu-se como uma concorrência muito séria no mercado do software dos sistemas operativos já que é uma alternativa gratuita, sendo construído por uma rede informal de programadores que nem tentam ganhar dinheiro.

A IBM tornou-se defensora da produção com os pares e do código aberto. Confrontada com falhas no seu software, a IBM procurou alternativas e neste sentido acabou por doar uma grande quantidade de código e criou equipas para ajudar as comunidades de código aberto do Apache (servidor da Rede) e Linux (sistema operativo).
Resultado desta opção: os serviços e hardware Linux representam milhares de milhões de dólares em receitas e poupam por ano mil milhões em relação ao que custaria desenvolver um sistema semelhante ao Linux.
Um exemplo de como empresas inteligentes podem fazer uso das redes de pessoas auto-organizadas para criar um valor único.

Apache

A IBM começou por investigar o Linux pela possibilidade de este tornar-se competitivo para a Microsoft ou Sun, já que de inicio seria uma aposta arriscada e sem quaisquer garantia de retorno para a IBM.
Assim, a primeira experiência da IBM no codigo aberto foi feita com o Apache (que detinha metade do mercado de servidores de rede, enquanto a IBM detinha menos de 1%, logo não tinha nada a perder).
A IBM aderiu à comunidade, colaborando como qualquer uma das partes.

Os principais beneficios da produção com os pares para empresas:

• Aproveitar os talentos externos de forma a criar melhores potencialidades nas empresas com um ritmo inferior ao da tecnologia e suas potencialidades.
• Acompanhar os utilizadores, para não perder as noções das necessidades. Se não o fizerem vão perder terreno, porque existe possibilidade concorrencial.
• Aumentar a procura de ofertas complementares proporciona mais possibilidades de negócio. O código aberto proporciona ao utilizador a sua evolução, logo mais valias para as empresas. edução de custos vem por acrescimo
• Se mais cabeças pensarem e contribuirem para um produto ele vai sair melhor e mais barato. Simplesmente porque o código esta ao alcance de todos e as empresas apenas tem que filtrar o bom do mau e não contratar equipas enormes para chegar ao mesmo porto.
• Alterar o núcleo de intervenção é essencial. As empresas só ganham com a publicação de um código, já que diminuem a possibilidade concorrência, bem como é possível vislumbrar outras potencialidades indirectamente ligadas aquele código.
• Acabar com as fricções na colaboração para não haver invasões e injustiças na propriedade intlectual
• Desenvolvimento do Capital Social. As empresas vem potencial nos codigos abertos, logo cedem as suas patentes a codigos abertos para beberem das suas potencialidades.

A produção com pares veio para ficar.: As comunidades de produção com pares ocupam um lugar relevante no negócio e conseguiram provar que um trabalho que geralmente nao era remunerado, hoje tem um valor substancial.

(Rita Brilhante / Pedro Dias)

Capítulo 4 – Ideágoras

Ideágoras são sítios na internet que servem de ponto de encontro entre todo o tipo de empresas e pessoas do mundo inteiro (peritos ou não) que tentam encontrar as soluções que as empresas precisam, recebendo dinheiro por isso. O objectivo das empresas é a utilização de todos os cérebros a nível mundial e a não limitação exclusiva aos cérebros dos seus próprios colaboradores.

Nas Ideágoras encontram-se essencialmente dois tipos de casos: soluções em busca de questões e questões em busca de soluções. O primeiro caso são “…ideias e invenções que não são utilizadas; invenções que as empresas desenvolveram por motivos de investigação e que, no entanto, nunca chegaram a sair da linha de partida. Por um motivo ou por outro, acabam por ir parar a uma prateleira, muitas vezes porque são demasiado dispendiosas ou se adequam mal às marcas e à estratégia de uma empresa. Em outros casos, as empresas têm grandes tecnologias de que se servem nos seus principais mercados. Mas as tecnologias têm aplicações prometedoras em outros mercados ou indústrias nos quais não estão preparadas para entrar.” Normalmente estas ideias não usadas têm custos relacionados com patentes e por isso, as empresas tentam rentabilizá-las procurando quem queira fazer uso delas, através de licenciamentos. O segundo caso são os já mencionados problemas que as empresas têm e que querem ver solucionados.

São situações “Ganha-Ganha”, em que as empresas ganham ao verem os seus problemas resolvidos, com a vantagem de não terem que pagar salários, segurança social e afins, (pois não contratam ninguém) e também por não terem que gastar elevadas somas nos seus departamentos de Investigação e Desenvolvimento à procura de soluções. Por outro lado, quem resolve os problemas, ganha na parte do desafio (que para muitos já é estimulante ‘per se’) e no prémio monetário atribuído à resolução encontrada.

Um dos sítios mencionados no livro é o InnoCentive (http://www.innocentive.com), que se define, ele próprio, da seguinte forma: É um mercado de inovação global, em que mentes criativas resolvem alguns dos problemas mais importantes do mundo, recebendo em troca prémios que podem ir até um milhão de dólares. Organizações comerciais, governamentais e humanitárias associam-se ao InnoCentive para resolver problemas que podem ter impacto na humanidade em áreas tão distintas como o ambiente e a medicina.

(Homero Correia/Cátia Ferreira)

Cap. 5 - Os Prosumidores

O termo "prosumo" foi introduzido para descrever o modo como a distância entre produtores e consumidores se estava a desvanecer.
Neste novo modelo de "prosumo", oa consumidores participam na criação dos produtos de forma activa e continuada.
Fazem mais do que personalizar um produto, formam as suas comunidades de prosumidores on-line onde partilham informações relacionadas com produtos, colaboram em projectos, trocam dicas e ferramentas.
No caso do exempplo do second life, a Linden Labs produz menos de um por cento do seu conteúdo e o jogo já tem cerca de vinte e três mil horas diárias de colaboração gratuita dos seus utilizadores.

Neste capitulo o autor explica o processo com uma série de casos que exploram o modo como as comunidades auto-organizadas de prosumidores podem ser ao mesmo tempo uma oportunidade lucrativa e uma ameaça para as empresas.

Certo é a tendência crescente para este novo paradigma se impor. Os prosumidores irão reconfigurar os produtos tendo em conta os seus próprios objectivos e os artigos estáticos e imutáveis, brevemente, farão parte do passado.

Exemplo LEGO: Primeiro a resistência
Uma das primeiras comunidades de prosumidores formou-se em torno de um produto lego: um robô altamente sofisticado.

Quando o produto apareceu, os responsáveis de Marketing ficaram surpreendidos por descobrir que adolescentes e adultos se dedicavam ao passatempo de tentar melhorá-lo. Primeiro a Lego ameaçou com processos judiciais mas quando osutilizadores se revoltaram, a marca ponderou a situação e acabou por incorporar ideias dos utilizadores. Com os Lego Mindstorms, os utilizadores constroem robôs reais a partir de peças programáveis e que podem ser transformados em praticamente tudo o que a imaginação ditar.

(Carla Rocha)

O autor refere que os produtos estáticos e imutáveis têm tendência a desaparecer, para dar lugar a produtos modulares e editáveis. O Prosumo surge quando um consumidor constroi um produto único adaptado às suas especificações. Assim, uma empresa que permita aos seus clientes efectuarem livremente modificações aos seus produtos corre o risco de canibalizar o seu modelo de negócio e perder o controlo da sua plataforma. Por outro lado, uma empresa que faça frente aos seus utilizadores pode manchar a sua reputação e perder potenciais conteúdos valiosos e inovadores. No ponto de vista do autor, as empresas inteligentes envolvem os consumidores nas suas áreas de negócio e oferecem-lhes um papel activo na concepção de futuros produtos e serviços.

A tecnologia faz com que seja fácil às pessoas criar e partilhar conteúdos globalmente, através de blogs, wikis, podcasts… É a chamada cultura da remistura, que possibilita uma explosão de criatividade com uma difusão muito abrangente. Surgem os apelidados "Djs de Quarto", que remisturam vários autores à sua maneira e nem necessitam de um distribuidor, pois é a própria internet que faz a distribuição. Cria-se neste contexto uma batalha legal com as companhias discográficas, devido a problemas de direitos de autor.

No paradigma emergente do Prosumo, uma pessoa muda facilmente do papel de consumidor para o de participante, e mesmo de criador. A ascensão do jornalismo do cidadão é fruto disso, a partir do momento em que qualquer pessoa pode publicar, reproduzir e partilhar informação e videos na internet (exemplos disso são o YouTube, o Slashdot e o Digg).
No entanto, os meios de comunicação social ainda se mostram muito relutantes em aceitar a participação deste novo consumidor. O autor defende que qualquer organização noticiosa séria deveria também permitir que os seus leitores contribuissem com inputs editoriais.

Cada vez mais os consumidores necessitam de acrescentar valor ao produto e tornarem-se parceiros das empresas. Querem um produto superior, uma melhor experiência e em alguns casos receberem mesmo uma parte da receita.

(Ana Filipa Oliveira)

Cap.7 Plataformas de Participação (O mundo é o palco e você a estrela)

Neste capítulo, o autor começa por situar em 2005 uma das primeiras remisturas da web, quando Paul Rademacher juntou os anúncios classificados do craiglist com o serviço de mapas do Google (APIs disponíveis a todos), apresentando o 'housingmaps' como resultado. Actualmente, milhares utilizam e remisturam o Google Maps mas este é apenas um exemplo, já que são cada vez mais as plataformas que se abrem para a participação de grandes comunidades, que podem assim criar valor, com novas ideias para remisturar e melhorar, desenvolvendo 'códigos' e serviços já existentes e interagindo entre si.

No caso das comunidades de prosumidores, a empresa desenvolve produtos com os seus clientes; no caso em que a empresa abre as suas plaformas, ela está a alargar o seu palco, onde grandes comunidades de parceiros podem fazer negócios ou acrescentar valor à plataforma. Ao abrir os seus códigos e aplicações está a fomentar uma colaboração em massa, aumentando a sua capacidade produtiva sem aumentar custos.

O eBay, a Amazon e o Google são disto o melhor exemplo. Em torno da Amazon gravitam milhares de ecossistemas de programadores e parceiros que a partir daquilo que lhes é disponibilizado, acrescentam-lhe valor e podem ganhar também com isso. Os gigantes da web percebem claramente que têm assim ao dispor o talento de grandes comunidades de programadores que participam, desenvolvem e enriquecem os seus códigos e serviços. Usam recursos a uma escala maciça, que seria impossível internamente e conseguem inovações a uma velocidade muito superior àquela possível numa estrutura interna; sem custos e sem grandes riscos.

O conceito de remistura foi aplicado numa situação grave, após o Furacão Katrina. Este poder da rede serviu para reunir familias separadas, encontrar alojamento e até para salvar vidas. Voluntários do país contribuiram para criar uma central de todas as informações sobre os sobreviventes, tarefa gigante, onde foi necessário um esforço maciço de codificação de dados e integração de diversas bases de dados. O projecto é o PeopleFinder, onde tecnologias da web foram aproveitadas para ajudar e foi posto em funcionamento em 4 dias, sem quaisquer custos para os cidadãos. É um excelente exemplo do poder da colaboração em massa e ultrapassou em larga escala o que as autoridades fizeram. O objectivo era construir algo muito rapidamente e que possibilitasse ajudar as vitimas.

Este exemplo ilustra bem o facto das plataformas abertas aumentarem a velocidade, o âmbito e o sucesso da inovação. Tal como todas as inovações acabam por ser acumuladas, já que cada avanço tem por base uma inovação anterior, estas remisturas são o resultado de plataformas abertas para a inovação. Ao combinarem diversos fragmentos, criam algo de novo, tal como a remistura de uma música.

No entanto, as remisturas não trazem incentivos a longo prazo para os inovadores e a grande maioria não tem protecção para os 'donos' dos dados. No caso de Paul Rademacher, não sendo proprietário dos dados, poderia ser processado, pelo que, apesar da popularidade do housingmaps, aceitou um emprego no Google.
Pelo seu lado, o craiglist, ou utilizava a mesma API ou corria o risco de ver o seu tráfego descer em favor de outros sitios mais apelativos. O Google adorou a ideia, claro. O housingmaps só aumenta a sua popularidade; ao conter a sua aplicação de mapas, inclui também os seus anúncios, aumentando os seus lucros.

Uma forma existente destas remisturas baseia-se na 'integração de propriedade', através da qual as empresas integram as suas aplicações por meio de contratos. Esta não é a postura do Google que fomenta as grandes redes de programadores e a sua auto-organização, esperando delas colher grandes recompensas a longo prazo.

As plataformas de participação começam a penetrar tudo. A BBC tem o projecto Backstage, onde convida os programadores a criarem protótipos de serviços relacionados com as transmissões dos seus conteúdos. A Mighty TV é resultado desta abertura e integra pesquisas, identificações, classificações e recomendações de outras pessoas para auxiliar os espectadores a seguirem o seu caminho entre as milhares de horas de conteúdos de TV e Rádio do Reino Unido. Claramente, é uma receita fácil e barata de desenvolver as coisas.

Quanto às plataformas de comércio, como amazon, ebay ou Apple, são verdadeiros gigantes no conceito de plataformas de participação. São possibilitados níveis de interacção entre compradores e vendedores, através de mensagens, chat, etc; criam-se redes sociais em torno de uma paixão partilhada pelos utilizadores, partilham informações, opiniões, etc; os afiliados podem vender ou não artigos da Amazon, por exº, ou vender os seus, usando o interface e o sistema de pagamento da Amazon; verifica-se uma elevada integração a nível de programação, onde entidades externas podem ligar-se à base de dados da Amazon ou do eBay. A partir daqui são criados diversos softwares com utilidade, quer para os utilizadores, quer para as próprias empresas.

O que ganham os programadores com isto? Têm acesso a muitos serviços de software, as APIs são gratuitas ou baratas de usar; além disso podem ganhar dinheiro em comissões de tráfego e vendas, ou em prémios. Mas milhões contribuem para o sucesso dos sites dominantes de forma gratuita. Será que esta 'cultura da generosidade' não esconde um fenómeno de exploração?

Om Malik levantou a questão: o colectivo torna entidades comerciais ainda melhores e mais ricas, porque não receber uma quota-parte dos enormes lucros que todos ajudamos a gerar? Sem conteúdos, o Flickr, o Technorati, entre outros, serão cidades-fantasma…Se o Yahoo, por exemplo, criasse um sistema de partilha de receitas, poderia nascer uma era de 'micronegócios' online. Os fornecedores dessas plataformas, tal como outros fornecedores, deveriam ganhar com isso.

As plataformas de participação fortalecem as empresas aderentes, representam novas maneiras de se fazer negócio que se desenvolvem com a colaboração em massa e que contêm em si todos os principios da wikinomia: abertura, trabalho com os pares, partilha e acção global.

(Ana Ribeiro Ricciardi)

Capítulo 8 - A Fábrica Global

Neste Capítulo, o autor começa por dizer que a antiga e monolítica multinacional que cria valor de forma hierárquica, está morta.
Actualmente as empresas vencedoras têm fronteiras abertas e porosas e competem estedendo a mão ao exterior, aproveitando conhecimentos, recursos e capacidades externas.

As empresas começam a adoptr os 4 princípios da wikinomia:
- Abertura
- Trabalho com os pares
- Partilha
- Acção global

A fábrica começa a ser global, e aprovita a colaboração em massa para conceber e montar coisas com mais eficiência. Criou-se um novo modelo: Uma empresa global, derruba silos nacionais, emprega recursos e capacidades a nível global e aproveita o poder do capital humano, superando fronteiras e limitações organizacionais.

O Caso BMW

A BMW conentra-se na comercialização, associação e relações com os clientes e conserva conhecimentos de engenharia que considera cruciais, enquanto aos fornecedores cabe o fabrico da maior parte dos componentes e cada vez mais são eles que montam o veículo final.
À BMW cabe essencialmente a função de "orquestração"; a inovação não está directamente ligada com a invenção e construção de objectos mas mais com a coordenação de boas ideas.

Cada vez mais as grandes empresas/marcas são responsáveis apenas por conceito de produto, montagem final e marketing. De resto confiam numa fábrica global para aproveitarem as dezenas ou centenas de empresas que ajuam a montar os produtos acabados. Por um lado partilham-se riscos e por outro há a possibilidade de aproveitar as diversas aptidões e recursos a nível global.

Lições fundamentais da fábrica global:

- Esforce-se por ser o melhor naquilo que os seus clientes mais valorizam e entregue aos seus parceiros tudo o resto;
- Acrescente valor através da coordenação e orquestração de ideias;
- Crie processos de concepção rápidos e interactivos através de relações com parceiros motivados para solucionar problemas que tenham directamente a ver com a sua área de intervenção (ex. o que já hoje observamos em comunidades de software de código aberto);
- Crie um ecossistema transparente e igualitário (a partilha de informações através dos sistemas inter-empresas gera confiança e ajuda as redes de parceiros e fornecedores a actuarem como entidades únicas);
- Partilhe custos, riscos e tomadas de decisão com os seus parceiros.

(Helena Laymé/Helena Cardoso)

Capítulo 9 - O local de trabalho Wiki - dar largas ao nosso poder

Nas gerações anteriores privilegiavam-se valores como:
- Lealdade
- Antiguidade
- Segurança
- Autoriedade
Os locais de trabalho eram fechados e hierarquizados, baseados em relações rígidas e burocracia.

Na geração wiki os valores privilegiados são:
- Criatividade
- Conectividade social
- Diversão
- Liberdade
- Velocidade
- Diversidade
Os locais de trabalho são baseados em redes de capital humano, auto-organizadas, distribuídas, colaborativas, procuram conhecimento dentro e fora da empresa, adoptam novas tecnologias, privilegiam a criatividade, a diversão, a meritocracia, a motivação e o envolvimento dos funcionários.

Empresas wiki:
- mais concentradas nos clientes
- mais dinâmicas (também devido à maior competitividade)
- menos hierarquizadas
- funcionam a um nível global, são móveis, menos dependentes da geografia
- pressionadas pelo tempo
- recorrem a ferramentas baseadas na Rede, preparadas para serem usadas por mais do que um utilizador
- usam tecnologias que, muitas vezes, surgem das bases (e que não são impostas)

O local de trabalho wiki tem uma abordagem que procura partir das bases e evoluir para o topo: Neste capítulo é dado o exemplo de uma medida aplicada num hipermercado em que os funcionários sugeriram que se desse um tratamento “privilegiado” aos melhores clientes para que estes voltassem mais vezes e gastassem mais dinheiro. Os funcionários como eram as pessoas que melhor conheciam estes clientes foram os autores e puseram em prática a ideia.

- Procura-se aprender a observar o “estado natural” dos locais de trabalho e partir da cultura já existente.
- Captar momentos de brilhantismo (em vez de matar as ideias à nascença, dar espaço para que cresçam). Vive-se num “modo beta perpétuo” – tanto para produtos como para serviços.

5 funções típicas do local de trabalho wiki:
- Equipas

Se antigamente, nas empresas, as pessoas se organizavam em pequenas equipas para realizar todo o trabalho, na geração Wiki assistimos a um aumento significativo de colaboradores, qu pode chegar aos milhares. As empresas deixam de empregar equipas no sentido tradicional, para empregarem redes de pares que podem estar em constante mutação. Algumas equipas formam-se temporariamente para um projecto particular, e dessmancham-se assim que o projecto estiver concluido.

- distribuição de tempo

No capítulo é dado o exemplo da Google.
A empresa defende a colaboração e incentiva os funcionários a auto-organizarem-se no trabalho. Diariamente propõe aos funcionários que utilizem 20% do seu tempo para dedicarem aos seus projectos pessoais. Isso permite à empresa ter conhecimento dos projectos que interessam aos colaboradores e tirar daí algumas ideias oar desenvolver futuros projectos na própria Google.

- tomada de decisões

A tendência é para que, cada vez mais, as decisões sejam tomadas por um grupo de pessoas mais alargado. Em vez de se recolherem opiniões sobre determinado caso só entre os niveis hierárquicos superiores, a tendência é para procurar também opiniões de clientes, funcionários, fornecedores, etc, com o intuito de tomar uma decisão mais acertada.

- distribuição de recursos

A tendênia é para aplicar e distribuir os recursos consoante as necessidades e não com uma distribuição fixa, tendo em vista que sejam aplicados nos locais onde são mais valorizados

- comunicações empresariais

Em vez de manter uma comunicação rígida do topo para a base da empresa, a ideia é que todos os níveis hierárquicos possam comunicar de igualpara igual, sendo mais fácil aos superiores fazer passar a mensagem e aos trablhadores compreende-la.
No capítulo surge o exemplo da Sun Microsystems, onde um dos responsáveis, há muito tempo, intervém em blogues e se envolve regularmente em conversas online com os funcionários, clientes, accionistas, etc

Para onde caminhamos:

- Novos ambientes no local de trabalho

Os locais de trabalho não vão desaparecer, mas vai ser cada vez menos obrigatório o funcionário ir todos os dias à empresa cumprir um horário das 9h às 17h. Com o desenvolvimento das wikis, dos blogs, dos chats, é cada vez mais fácil trabalhar a partir de casa, ou de qualquer outro local, e a empresa pode contar com colaboradores de qualquer parte do mundo.

- Nova economia de trabalho

À medida que as empresas procurarem cada vez mais reduzir os custos e ter maior agilidade, os empregos serão também cada vez mais fluídos e a curto/médio prazo. a tendência é para que vão sendo criadas equipas auto-organizadas para relizarem tarefas singulares, num determinado momento. É por isso normal que surjam cada vez mais trabalhadores independentes e empresários individuais.

- Novas fontes de identidade e segurança

A nossa noção de estabilidade no emprego vai mudar. A tendência é para que a nossa evolução na aprendizagem e na carreira sejam feita através de comunidades online, onde trabalhamos com pessoas que pensam do mesmo modo e que desempenham tarefas semelhantes. A tendência é que, ao longo da vida, comecemos a "saltitar" de empresa em empresa e integrarmos uma equipa até terminar um dado projecto.

- Novos intermediários no mercado de talentos

Nos próximos tempos, agências de talentos ou mercados de capital humano serão os principais intermediários entre empregadores e empregados. A tendência é para que as empresas procurem encontrar e reunir talentos a nível global para desempenharem algumas tarefas.

Esta forma de trabalho auto-organizado e as empresas a funcionar a nível global, já começam a ser realidade. Já existem muitas empresas a trabalhar a nível global com base nas novas tecnologias e na internet, e a grande explosão será quando a Geração Net chegar ao mundo do trabalho. Aí as empresas vão criar organizações competitivas que aproveitarão capacidades internas e externas para cumprir um trabalho mais eficaz.

(Marina Duarte/Isabel Oliveira)

Capítulo 10 - Mentes em Colaboração

A cultura de colaboração gerada pela WEb 2.0 e a wikinomia (abertura, trabalho com os pares, partilha e acção global) originou críticas de vários observadores, que se preocupam com a possibilidade de a democratização da criação corroer as instituições que tradicionalmente sustentaram a economia e a produção de cultura e conhecimento humanos.

Por um lado, há o receio que os conteúdos produzidos pelos utilizadores da Web possam minar o importante papel que os guardiões desempenham na manutenção dos elevados padrões de qualidade, originalidade e autenticidade nos media, entretenimento e cultura. Ou seja, como distinguir o que está correcto do incorrecto, os factos das opiniões, os peritos dos amadores. Uma solução passa pela utilização de medidas de fiabilidade. Um exemplo é o programa aplicado à Wikipedia, criado por Luca de Alfaro, da Universidade da Califórnia Santa Cruz. Aquele usa a longevidade do conteúdo como indicador da utilidade das informações e das pessoas com contribuições mais fiáveis. Quanto mais tempo estiver um conteúdo sem sofrer alterações, mais fiável será e maior reputação terá o autor.

Por outro lado, há quem considere que a Geração Net e a sua crescente “cultura de mistura” e subsequente partilha pode minar a protecção dos direitos de propriedade intelectual. Mas já há vozes que defendem uma maior abertura dos conteúdos sujeitos a direitos de autor, como forma de tirar partido da democratização de conteúdos originada pela Web 2.0. A Lucasfilm aproveitou este conceito e permite que os utilizadores criem o seu próprio filme da Guerra das Estrelas e o divulguem no sítio Star Wars. No fundo, há que construir modelos de negócio que consigam competir com os conteúdos gratuitos que os consumidores descarregam da Internet.

Foi o que fez a Nettwerk Records: cinco minutos após o final do concerto dos Barenaked Ladies, um grupo musical com quem trabalham, colocam à venda cópias do espectáculo ao vivo em pens USB. Outra experiência foi organizar um concurso de remisturas, num importante sítio de DJs na Net, para uma canção de Sarah McLachlan. Comprou as primeiras 3 remisturas e começou a vendê-las. Além de ter ganho bastante dinheiro com um baixo investimento, conseguiu uma grande promoção gratuita da sua cantora porque os DJs passavam a música nos locais onde trabalhavam.

Também os Radiohead tentaram tirar partida da Web 2.0. O seu álbum mais recente só está disponível na Net e os consumidores é que decidem quanto pagam. O iTunes, da Apple, concorre com os sítios gratuitos todos os dias e tem alcançado sucesso. O importante é inovar. No caso das comunidades de prosumidores, o inovador controla um recurso de produção voluntário de baixo custo ou mesmo zero. Como tal, o melhor é tentar ser inovador e, assim, participar na construção de um negócio completamente novo. As empresas não devem perder tempo a pensar se devem ou não, tirar partido da wikinomia e envolver os pares no processo de criação e partilha de ideias, mas sim determinar quando e como, pois existem vários novos modelos de colaboração onde as mesmas podem aproveitar para alcançar uma maior competitividade e crescimento.

(Isabel Vasconcelos/Daniel Barata)

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